quarta-feira, 28 de abril de 2010

Buenos Aires

Imagine um meteoro caindo sobre a superfície da Terra. A poeira se levanta e a visão se turva. Não se vê apenas se apalpa. Era assim que estava me sentindo quando aterrissei aqui na terra dos hermanos. Quase tudo novo, poucas coisas familiares. Reservei o Hostel para apenas 3 dias. Tinha que arrumar um teto, rápido mas com só com o tato ficara difícil.
Bem, a viagem toda começou com um embarque conturbado. "Googlei" para ter certeza quantos kgs podia levar sem ter que pagar taxas extras. Para viagens internacionais marcava 2 malas de 32kgs. Fiz questão de pesar antes para ir tranquilo. Então eis que me jodo. Para viagens à America do Sul somente 1 mala de até 23kgs. Eu tive que me desfazer de coisas no aeroporto de Guarulhos. Dei meu cobertor para o tiozinho da limpeza. Deixei outras coisas por ali mesmo. Ainda assim paguei R$140,00 de sobrepeso. Dez dólares o kg e não era cobre. Antes disso pensei em despachar o excesso na esperança que saísse mais barato. Em vão. No meio de toda correria quase perco o voo. O embarque estava marcado para as 15:00 e entrei 15:20. Fui o último com mais 3 perdidos. Entrei com minha mochila e mais 2 sacolonas de coisas. No check-in ainda esqueci de despachar minha necessaire com minha mala e tive que jogar fora uma espuma de barbear, protetor solar, hidratante, plax whitening (percebe que meu sorriso é pra lá de bonitinho) e um desodorante novinho já que não se embarca na bagagem de mão líquidos com mais de 100ml. Podem-me chamar de metro quilometerssexual que não me importo dale? =]
Fiz escala no aeroporto internacional do Uruguai. Bem lindo diga-se de passagem. no check-in mais uma vez encanaram com minha necessaire. Tinha minha tesourinha de cortar os pelinhos do nariz. E, digo, tem feito falta. Mas nada como gel. Na viagem, conheci uma senhora bem legal que morou na Inglaterra e tal. Gente boa. Enfim, desci no Aeroparque Jorge Newbery e precisava pegar um táxi. Mas tinha apenas real. A casa de câmbio na saída do freeshop é um estouro. Pagam-se 1,68 pesos por 1 real. Estava precisando e troquei R$120,00. Peguei um táxi e fui para o hostel Portal del Sur (gracías Miguelito). Saiu 53 pesos. Achei meio caro a princípio já que o aeroporto não era muito longe. Dei 50 pesos e ficou por isso. No caminho, comecei a olhar bem a cidade as construções, todo mundo hablando español e pensei cacete! Sou o Oscar no meio do oceano. Lembrarei bem dessa primeira sensação. Já que tá que vá!
Chegando lá fiz amizade com um inglês e, óbvio, fui tomar cerveja com ele. Precisava dar um relax. Não, não tem tailandesas aqui. Pegou mal essa. Eram 15 pesos uma Quilmes de 970ml. Rapidamente fiz uma conta em real e pensei. É o preço! No mercado custa 3,50 pesos. Boludos! O Michael gostava de futebol sul-americano, torcedor do Liverpool (yeah you´ll never walk alone) e estava dando um rolê por nosso continente. Logo menos, foi para Colômbia cujo lugar disse ser muito agradável para turistas. Com libra esterlina e com leve gosto para o reggaeton deve ser! Fui dormir e com medo que me levassem meu rico dinheirinho do meu porta-dólar, dormi de calça jeans e tudo com medo de que me roubassem. Redundante assim mesmo. Sim, não tomei banho. Não era sábado certo? E estamos na Argentina convenhamos kkk! Não vi nenhum lavando a mão depois de mear.
Acordei às 6:00 porque ouvi barulhos e também porque devia estar assustado em dormir naquele lugar cheio de gente estranha até aquele momento. Fui ligar a Internet para ver a cotação do câmbio no http://www.dolarhoy.com. Mas a porra da tomada tinha que ter adaptador. Mierda! Comecei a andar pela região como um bandeirante descobrindo a América. Achei o adaptador em uma tiazinha da rua. Minha primeira comida? Pedi um escalope e veio milanesa. Pensei, carajo e se eu pedir milanesa? Em outro dia, pude comprovar que milanesa era mesmo milanesa e o escalope até hoje não sei se é como no Brasil. Voltei para o hostel, vi a cotação do real no dia e fui trocar em uma casa de câmbio chamada América. Até hoje, em todas as vezes que entrei para ver a cotação é o melhor preço.
Nesse dia conheci o Victão. Um boludo paulistano (ele é francês mas veio para o Brasil com 8 anos). Demos altos rolês, comemos bife de Chorizo, fomos na festinha do Roof. Pirado! Inclusive tinha vários brasileiros no hostel. Indeed, cariocas. Cariocas e chineses estão por todo planeta. Fato! Enquanto o paulista trabalha o carioca viaja. Bairrista não, observador. És una broma. Um adendo ao hostel. Lugar cosmopolita certo? Treinei mais o inglês que o espanhol até aqui. Tutti bonna gente!
Já era sexta-feira e precisava de um lugar para ficar em definitivo. Consultei um site http://www.compartodepto.com e fui dar uma volta para saber onde ficava cada lugar que combinava com o que queria. Vi um anúncio perfeito 670 pesos com quarto individual. Era no bairro do Boca. Fiquei com o pé atrás porque Boca é Corinthians. Fui até lá ver e aproveitar para conhecer o tão famoso lugar. Eis que me deparo com o lugar. Era um cortiço e tive medo de andar de dia, em pleno sol, claro, não turvo, shining, whatever lá. Ou seja, como pensei é meio impossível reservar um lugar a distância a não ser por recomendação de alguém conhecido. Nas minhas andanças conheci um hostel para universitários. O lugar era bem bacana http://www.moonlighthouse.com.ar. Fui atendido pela dona a Letícia (ou alguma variação Letizia, Leticia, Lettuce), uma uruguaia gente boa. Enfim, era sexta mas tinha prorrogado mais 2 dias então era obrigado a ficar no hostel até domingo. A festinha no roof no começo do fim de semana foi tudo de bom. Não posso deixar de falar da Judith. Muito bacana e inspirador seu espírito jovial. Vou pular sábado ok? :)
E no domingo me mudei. Divido quarto com um brasileiro, equatoriano e um do interior da Argentina. Buenos chicos. No mesmo dia, fui com o Victor na feirinha de San Telmo (onde as chicas se enlouquecem em ver tantas coisas bonitinhas) e depois tentar ir ver Boca e San Lorenzo no La Bombonera. Os cambistas queriam 150 pesos em um ingresso que se vende por 50 pesos para locais. Turistas pagam mais. O Jens, um alemão doido no hostel pagou 150 dólares para ir ao jogo. São nacionalistas como dizem. Compram Arcor e La Sereníssima em detrimento a outras marcas. Foda-se. Nunca mais compro uma tortuguita também.
Conheci um amigão mesmo no Hostel, o Chico. Gente boníssima. Está já há um tempo aqui e me mostrou muitas coisas. Na segunda-feira fomos até a casa de outro amigo dele norueguês o Andreas. Ficamos tomando cerveja, comendo empanadas e vendo Click com mais um francês Antonio e uma suíça a Yasmim.
Na terça dessa semana fui fazer matrícula na Universidad de Buenos Aires. Tenho que voltar dia 13 de maio para pagar e passar por uma prova para ver que nível me enquadro.
Essa semana também fui procurar celular, ver academia
Já engravidei (valeu Gabi) de choripans, chorizo, asado, vacios, empanadas, alfajores e refri. No Brasil se come bem viu. A comida é sortida tal qual as nacionalidades dos loucos que habitam os hostels.
Sabe aquele pó, visão turva e tudo. Ele se assentou bastante. Já me enxergo por aqui.
Primeiras impressões?
Buenos Aires cosmopolita, glamourosa, respira tango e rock (sim rock argentino é duca), suja por certas ruas, cheio de latinos de outros países que os europeus massacraram, malandros e politizada.
Boliches ficam para uma próxima ocasião junto com fotos que praticamente não tirei.
Besitos e abrazos para las chicas e boludos!